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terça-feira, 19 de julho de 2011

A dor e a morte do último Moicano

Imaginem vocês a seguinte cena : Você se apronta para assistir a mais um dos ótimos episódios de sua série favorita, se acomoda bem no sofá e de repente... PUF ! No lugar do ator principal você dá de cara com um Zé Mijão qualquer que mal se encaixa no enredo da estória. Talvez esse seja, daqui pra frente, o sentimento da grande maioria dos fãs da (pode-se dizer finada) série Two and a Half Man levada ao ar aqui no Brasil pelo Warner Channel.

Nadando bravamente em meio a um lamaçal de séries imbecis, previsíveis e medíocres o carismático anti-herói Charlie Harper vinha angariando fãs pelo mundo todo com seu jeito largado, beberrão e sarcástico genialmente interpretado pelo porra-louca mais famoso, e até o momento mais bem pago, da TV americana. O Charlie, personagem, mimetizava (ou vice-versa) o Charlie ator. E, para muitos, essa era a graça de toda a estória.

Constantemente envolvido em rolos por conta de abusos com álcool e drogas, Sheen protagonizou uma torturante novela ao mandar o diretor imbecil da série pro diabo que carregue, tentar elevar ainda mais o seu cachê por episódio e ofender o resto do elenco até ser demitido pelos gravatas da Warner. Na verdade a estória de que ele realmente tenha ofendido seus parceiros da série não ficou muito bem esclarecida, sendo negada inclusive pelos próprios atores.

A verdade é que Two and a Half sem Sheen é tão desastroso quanto House sem Hugh Laurie. Simplesmente não funciona. Ainda mais quando se fala em um substituto como Ashton Kutcher, notadamente um atorzinho mequetrefe de quinta categoria que está a anos-luz de ser Charlie Harper - ou de ser qualquer outra coisa. Mais revoltante ainda foi ler essa noticia aqui, onde se especula que o diretor da série planeja tirar o personagem de Sheen da série de uma forma tão ridícula quanto quixotesca.

Mas é assim que as coisas são hoje em dia. Tudo se faz e se pensa em nome do politicamente babaca e assim o mundo vai ficando cada vez mais nojento, morfético e sem graça. E talvez seja por isso que um bêbado promíscuo e milionário que mora na praia juntamente com um médico resmungão e mal-educado façam um sucesso tão estrondoso entre todos. Por que as pessoas simplesmente não suportam mais conviver com essa filosofia imbecilóide e querem desesperadamente voltar ao mundo real, ao genuíno.

House é genuinamente sarcástico e genial. Harper é genialmente bon-vivant e desregrado. Ambos são insubstituíveis porque ambos não se dobram a nenhum dogma, nem se deixam enquadrar em rótulos pré-definidos : o mocinho, o bandido, o bonzinho, o mauzinho e etc. São verdadeiros, fiéis aos seus princípios sejam eles quais forem. E isso, na terra dos "iguais", incomoda sempre muita gente.

Dizem as más línguas que House não passará da próxima temporada. Harper, um dos últimos bastiões do humor escraxo, deliciosamente sujo e desbocado já sucumbiu frente à ditadura do babaquismo. Nossos heróis estão sim morrendo de overdose...

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