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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Apenas uma vez

Existiu um dia uma sábia voz que disse que a verdadeira felicidade está nas pequenas coisas. Nas pequeninas. Muito certa esta máxima, tão certa que se aplica à muitas coisas inclusive ao cinema. Muitas vezes o caminho para se chegar à alma das pessoas passa por estradas simples, longe dos elencos estelares, dos orçamentos milionários e dos enredos pasteurizados onde tudo é artificialmente bonito e previsível.

"Apenas uma vez" (Once, Ireland 2006) é um filme assim. Uma pequena e inestimável obra prima escrita e dirigida com coração, com amor. É uma estória simples, como a vida deve ser, bela, tocante e dona de uma doce sutileza. Sem arroubos de paixão, sem atuações quixotescas ou monólogos enfadonhos. Todos os elementos estão presentes em cena: amor, alegria, tristeza, todos estão lá, nos olhos e nos rostos dos atores. Assim como estão em nós, em nosso dia a dia.

É impossível não se apaixonar pelo casal protagonista (Glen Hansard e Markéta Irglová) que, sem esforço algum, dão um show de empatia. De uma forma ou de outra nos identificamos com algum sentimento que deles se despreende. O longa é de tal forma intimista que faz com que nos sintamos parte da vida de ambos, nos faz sentir carinho por eles enquanto desfila com objetividade e sem maquiagens toda a beleza que a simplicidade pode ter. Não rara são as vezes em que a emoção nos encontra em um dos cantinhos do filme.

O filme conta a estória de um rapaz que ajuda o pai em uma pequena loja que conserta aspiradores de pó e que, nas horas vagas, toca seu violão nas ruas de Dublin. O dinheiro que ganha com os passantes é bem vindo, mas fica claro que o objetivo que o impele às ruas é pura e simplesmente o amor : amor pela música e pelo alguém especial que foi-se embora. Glen divide assim seus sentimentos ao mesmo tempo em que tenta abafar a dor que sente. A forma primorosa como ele passa esses sentimentos, com interpretações vigorosas mas profundos olhos tristes que não escondem a saudade sentida é natural, autêntica, é doação.


Durante uma de suas solitárias apresentações ele conhece alguém especial, com quem inicia uma bela amizade. Uma imigrante tcheca que compartilha com Glen sua paixão pela música. Logo ambos descobrem grandes afinidades e vão se aproximando a cada dia. Não demora para que o coração solitário de Glen logo enxergue a luz que vem daquela compania. Assim é quando ambos compõe e tocam juntos, protagonizando cenas inesquecíveis.

Dizer que a trilha sonora do filme é um espetáculo à parte seria ser redundante. Não pelo fato de um dos objetivos do longa ser exatamente apresentar as canções, mas apenas por todas elas serem fantásticas. A forma pura como são conduzidas nos faz querer que o filme dure para sempre. Assim como a amizade de Glen e Markéta que, sendo feita de um amor tão maior do que o amor carnal, tão maior que o beijo e o encontro, nos arrebata e nos cativa.

"Apenas uma vez" é poesia pura. É um daqueles filmes que merece ser visto não uma, mas várias vezes. Garanto que, a cada vez que você for assistí-lo vai se apaixonar por ele de um jeito novo.

Um comentário:

Ana Raquel disse...

M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!
Neste filme, a grandiosidade está na simplicidade, na proximidade dos sentimentos e dos personagens com a vida real. Vale cada minuto! E a trilha sonora é algo à parte, que só ouvindo para compreender o quão maravilhosa ela é!!!

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