Quem é fã de quadrinhos conhece - ou pelo menos já ouviu falar - de Alan Moore. Alan Moore está para os quadrinhos assim como Orson Welles está para o cinema. Moore praticamente reinventou esta arte, quando publicou em 1986, aquela que seria a obra definitiva, a divisora de águas, que mudaria para sempre a forma como eram concebidas e encaradas as HQs : A saga conhecida como WATCHMEN.
Watchmen é item obrigatório na estante de qualquer colecionador que se preze e não importa quantas vezes você a releia, ela sempre parecerá atual seja qual for o momento em que você tirá-la do lugar. Trata-se de uma obra atemporal, inimitável e que ditou um novo e revolucionário meio de se escrever estórias em quadrinhos. Os temas abordados em Watchmen eram fantasiosos, mas ao mesmo tempo densos. Seus diálogos eram longos e dotados de uma complexidade nunca antes vista no gênero. Os personagens pareciam ganhar vida própria a cada página tal era a forma como Moore evidenciava suas personalidades, recheando-as de medos, angústias, alegrias e fraquezas.
Watchmen tem uma capacidade singular de envolver o leitor justamente por que tem neste ponto - as personagens - sua força maior. Não raro nos pegamos lendo aquela estória como se estivéssemos acompanhando as trajetórias de pessoas que conhecemos há anos e, em algumas passagens, sentimos como se estivéssemos em uma grande sala, sentados frente a frente com todos eles, ouvindo-os nos contar tudo. Depois de Watchmen, o mundo dos quadrinhos nunca mais foi o mesmo. A obra que mais se aproximou até hoje do calibre de Watchmen foi "Batman, O Cavaleiro das Trevas" de Frank Miller. Um clássico, mas mesmo assim ocupando um segundo lugar situado anos-luz atrás da obra-prima de Moore. E foi por conta disto tudo que fiquei muito feliz - e apreensivo ao mesmo tempo - quando saiu na grande rede a notícia de que a saga de Moore seria transmutada para a tela grande.
Feliz porquê atualmente o cinema atingiu um nível tecnológico que nos permite criar e manipular simplesmente qualquer coisa e isso ajudaria em muito na recriação do ambiente imaginado por Moore. Em outras palavras, se existisse uma hora certa para lançar tal filme, a hora era agora. E a julgar pelas fotos espalhadas pelo post (buscadas do site do omelete, que tem cobrido o desenrolar da produção do longa) pode-se dizer que os detalhes são fidedignos, de impressionar mesmo e que se tudo der certo, esta adaptação tem tudo para ser a mais espetacular de toda a história do cinema.

Apreensivo porquê uma obra desta envergadura necessita de todo o cuidado possível na hora de ser adaptada por ser uma obra riquíssima em detalhes, por ter uma trama intrincada e personagens complexos. Além de tudo isso existe a questão do tempo. Watchmen é uma obra longa e que pode acabar sendo encurtada de forma errada para poder caber nas duas horas de projeção prejudicando todo o filme.
Também existe o perigo do enredo ser alterado demais para tornar-se palatável ao público do cinema - que é bem diferente do público acostumado aos quadrinhos de Moore - e acabar se tornando um blockbuster pop desprovido da profundidade que permeia a estória. E, em uma obra deste tipo, estas alterações são inevitáveis. Se permanecer intocada ela corre o risco de não ser compreendida nem aproveitada ao máximo.
Resta aguardarmos ansiosos até Março de 2009, data em que o filme estréia, e torcer para que o bom-senso tenha sido o principal ingrediente utilizado durante a produção desta tão esperada epopéia.


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