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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Um pitaco de (hic) história

Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou.

O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo fermentado. Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o 'azedo' do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente.

Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome 'PINGA'. Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de 'ÁGUA-ARDENTE'. Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.

(História contada no Museu do Homem do Nordeste - Recife/PE).

(*)Enviado por email pela amiga Isabel Cristina Barnetche

2 comentários:

Ana Raquel disse...

Muito interessante a história, e lendo ela, me veio o pensamento da grande simplicidade e lógica envolvidas em nomear algo novo... é, muitas vezes, senão a maioria delas, somos nós que complicamos as coisas, talvez na ansiedade de querer que tudo seja perfeito e/ou do nosso jeito. Coisas do ser humano...

coisasquegosto disse...

Que curioso, Mauricio! Então os escravos inventaram a pinga sem querer? Parece que foi assim também com a feijoada, né?
O título desse post ficou muito bom, viu? Gostei!
Abraço.

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