Eu não costumo reproduzir textos aqui, mas este pequeno texto de Max Gehringer é extremamente interessante para todos aqueles que convivem com a rotina corporativa, ou seja, quase todos nós.Não se trata de uma daquelas estorinhas com lição de moral no fim, mas de uma reflexão simples e direta sobre como a postura que adotamos em nossos ambientes de trabalho é vital na formação do caráter e no crescimento tanto pessoal quanto profissional.
"Toda empresa tem aquele grupinho de funcionários contestadores e meio revolucionários. Eles parecem nunca estar satisfeitos com nada, vivem criticando decisões que a diretoria toma, gostariam que não houvesse tanta burocracia e, principalmente, querem ter liberdade para pensar. De modo geral, as empresas rotulam pessoas assim com palavras pouco elogiosas: desestabilizadores do ambiente de trabalho ou, simplesmente, terroristas. No início de minha carreira, tinha mais ou menos esse perfil. Aos dezoito anos, trabalhava em um fábrica e, certo dia, a direção decretou que todo mundo teria que passar a usar jalecos de cor cinza.
A hierarquia seria diferenciada pela cor da gola dos jalecos. Chefes teriam gola azul, supervisores, gola verde, e assim por diante, até os mais humildes, que teriam gola cor de abóbora. Bastou uma semana para que a nova moda virasse um festival de vaidades e os mais humildes fossem apelidados de "abobrinhas". Como representante da classe dos "abobrinhas", pendurei no quadro de avisos da fábrica um papel com a seguinte frase: "Se a cor do colarinho fosse sinal de prestígio, o palhaço seria o dono do circo".
Tomei a minha primeira advertência por escrito, que está guardada com carinho até hoje. Muitos anos depois, aquela empresa fez uma festa para comemorar seus cinqüenta anos de existência e vários ex-funcionários foram convidados, inclusive eu. Para minha surpresa recebi uma homenagem. Fiquei ainda mais surpreso quando descobri que outras pessoas que estavam sendo homenageadas eram exatamente aquelas que a empresa não via com bons olhos em tempos passados.
Os terroristas que estavam sempre ameaçados de ir para aruá se não se comportassem. Agora, essa gente era classificada como criativa e inovadora. Então, se alguém aí está na marca do pênalti porque vive dizendo o que pensa dentro da empresa, tudo é uma simples questão de escolha: estabilidade hoje ou felicidade amanhã. Porque o presente só premia os obedientes. Mas o futuro será sempre grato aos rebeldes."


Nenhum comentário:
Postar um comentário