Comprometer-se significa fazer parte de algo, não de forma isolada, mas sim como parte de um todo em prol de um bem comum. Pode ser qualquer coisa : um ideal, uma meta, uma tarefa, enfim, não importa. O que importa é o quanto de doação cada um empreende fazendo sua parte. Se procura fazê-lo pensando nos outros que estão ali ao lado, se pretende apenas fazer número e nada mais ou se pretende ser o melhor, se destacar, diferenciar-se.É sabido que, sempre que junta-se um grupo, uma equipe, alguém se sobressairá, pelo talento, pela vontade ou simplesmente pela entrega. E o que espera alguém que age assim ? Nem medalhas nem honrarias, apenas reconhecimento. Não que suas atitudes como membro sejam focadas em atingir este objetivo, mas simplesmente pelo prazer de saber que seu papel dentro daquele círculo, onde este indivíduo encontra a realização fazendo o que gosta, seja visto e reconhecido não como um grande acontecimento nem algo excepcional, mas sim com a naturalidade e a sensibilidade necessárias para fazer com que os responsáveis por tal grupo enxerguem que investindo nesses talentos, estarão investindo em si mesmos em razão do valor que eles agregam ao todo.
Quando isso demora demais a acontecer - ou simplesmente não acontece - batemos de frente na pedra dura da realidade que nos diz que somos peças. Apenas peças. Peças que podem ser substituídas, trocadas ou simplesmente ignoradas até que deixem de funcionar. E quando nos vemos sem horizontes onde procurar razões para continuar a fazer parte deste todo, partimos em busca de novos. E tudo o que foi feito, tudo o que foi construído, toda a consequência deste comprometimento fica para trás. E então começamos tudo de novo, em outro lugar.
"É a hora de aposentar as roupas velhas", como dizem. Por mais doloroso e complicado que seja.


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