
Aqui no Rio Grande do Sul não era diferente. Tanto que, em 1915, a imprensa da Capital publicou o seguinte versinho, de autoria do cavalheiro Ivan Ney, athleta do Olympic Foot-Ball Club:
"É elegante e é chic É distincto,
Que lindo. Mas essa atmosfera bucólica nunca foi realmente bucólica. Em 18 de julho de 1909, o jornal publicou o seguinte texto acerca de um jogo que ocorreria na Baixada naquele dia: "Somos obrigados, a fim de evitar factos desagradáveis, a aconselhar aos espectadores a que não se pronunciem por ocasião do jogo em favor de um ou de outro team. Ainda domingo último, durante o torneio, deu-se lamentável incidente, tendo os espectadores imprudentes ouvido phrases pouco gentis."
Esse jogo a que se referiu o jornal foi... o primeiro Gre-Nal! O Grêmio enfiou 10 a 0 e nem houve briga. No segundo houve. Em 1910, os dois times se pecharam no Campo da Várzea, a atual Redenção. Nas goleiras, uma novidade engenhosa: redes! Em campo, nada de novo: o Grêmio venceu por 5 a 0. Só que, a bolas tantas, o centroavante Booth, emérito driblador, deu de aplicar paninhos nos colorados. Driblou um, dois, cinco. Um deboche.
Em 1918, no clássico número 11, o Grêmio vencia por 1 a 0, gol do zagueiro uruguaio Gabirotti, quando a bola escorreu pela lateral. Os jogadores do Inter queriam a bola. Os do Grêmio também. Começaram a discutir. Logo, os torcedores do Grêmio passaram a xingar os jogadores do Inter. E os jogadores do Inter xingaram os torcedores do Grêmio.
Até então os torcedores se misturavam nos estádios. O Grêmio fazia o gol, os gremistas pulavam. Os colorados, ao lado, olhavam, mal-humorados, sem protestar. Gol do Inter, a mesma coisa. Foi só em 1942 que um grupo de flamenguistas resolveu levar instrumentos para os estádios a fim de estimular o timaço no qual se destacava Zizinho, o maior jogador do Brasil no seu tempo. As pessoas estranhavam aquilo.
Aqui, a primeira torcida organizada foi fundada por Vicente Rao, bancário, Rei Momo, líder do bloco carnavalesco Tira o Dedo do Pudim e coloradão profissional. Rao se inspirou na torcida do Flamengo, evidentemente. Fazia faixas e bandeiras, pedia que os torcedores fossem a campo uniformizados, picava papéis para a entrada do time em campo e chamava a torcida para se postar num mesmo setor, atrás da goleira.
O Inter continuou com uma torcida maior e mais animada até o meio dos anos 50, quando o Grêmio aboliu o preconceito racial e voltou a vencer. Aí sua torcida aumentou e tornou-se maior do que a do rival.
Tenho uma teoria a respeito da relação entre tamanho de torcida e número de vitórias: um time vencedor conquista mais torcedores, mas são as derrotas que os fanatizam. A torcida do Corinthians, por exemplo, transformou-se em uma das maiores do Brasil nos 23 anos que o clube permaneceu sem títulos.































