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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Quando o futuro nos assusta


Fazer seguro para o carro é algo corriqueiro, a gente nem se pergunta se deve ou não fazer. Faz-se e pronto. A probabilidade de termos nosso automóvel roubado e desmontado é grande atualmente, portanto, para não vermos nosso tão suado investimento descer pelo ralo, optamos por protegê-lo. Mas quando o assunto é seguro de vida, tudo muda de figura.

Eu sou um daqueles cidadãos que muitos chamam de empreendedores. Há uns bons anos atrás abdiquei das benesses que um trabalho com carteira assinada traz para trabalhar por conta própria. Aliás, na minha área - a informática - vocês vão encontrar 90% do pessoal fazendo isso : abrindo Empresas e prestando serviços diretamente para seus clientes.

Como tudo na vida, isso tem dois lados. O lado bom é que você não fica tão preso a contratos, pode facilmente se desvincular de seu cliente e passar a atender outro - ou mesmo atender a mais de um - sempre que preferir. A carga tributária, apesar de pesada, é um pouco menor do que a que vem embutida na vaga tipo CLT e, quase sempre, os salários são maiores por que empregados assim são menos custosos para as Empresas.

O lado ruim é que você não tem 13 salário, não tem férias (a não ser que entre em acordo com seu cliente) e nem plano de saúde (optando por esta modalidade, convém fazer um plano particular). Outro grande problema é caso você sofra um acidente ou caia doente e fique sem trabalhar. Para um prestador de serviços com eu, isso é o pior pesadelo. Sem trabalhar, você não ganha. Não existem "licenças-saúde".

Este fantasma sempre me assombrou - até por que já passei por isso uma vez - por isso, quando a companhia de seguros bateu à porta da nossa empregadora semana passada buscando justamente clientes como nós, terceirizados desprotegidos, me interessei. Conversei durante horas com as meninas que vieram mostrar o produto, tirei as dúvidas e hoje, 1 semana depois, elas me trouxeram projeções dos possíveis cenários.

Confesso que me senti extremamente deprimido com aquela conversa. Não pelo fato do assunto ser maçante, elas conseguem explicar tudo de forma que fique bem inteligível e interessante. O que, digamos, me abalou foi me ver ali naquelas planilhas, retratado em números. Projeções e mais projeções para quando eu alcançar meus 65 anos. Faltam exatamente 30 anos para isso, não é pouco tempo, mas visto daquele prisma, minha vida toda pareceu uma corrida contra o relógio. Confesso que tenho medo de chegar nesta idade. Tenho medo desta parte do futuro. Enquanto elas tratavam o assunto ali, com a maior naturalidade, falando das minhas coberturas em caso de morte, invalidez (permanente ou temporária), aparecimento de doenças horríveis, eu fiquei ali, viajando, amedrontado pelo fantasma da velhice iminente.

Eu mal sei o que vou estar fazendo no próximo ano, nem sei onde vou estar trabalhando e ás vezes nem sei se vou estar trabalhando, mas aquele papel ali na minha frente com o desenho da minha linha de tempo futura com uma previsão de vida de 78 anos (como se estivesse definindo prematuramente e taxativamente minha data de validade) me arrepiou os cabelos. Pode a vida de alguém ser demonstrada assim, daquele jeito, com uma reles linha de tempo ? Era assim que o papel me enxergava. Um recurso, que vai produzir 'x', durante um 'x' tempo até a linha chegar no fim. O gráfico descendente que demonstrava a "evolução" (ou seria involução ?) dos meus ganhos em relação ao aumento da idade também era de assustar qualquer um. Isso por que são dados, são fatos, vão acontecer de verdade e contra fatos não existem argumentos. Ali estava eu, planificado, definido e planejado até o final de tudo.

A inevitável sensação de ter perdido um tempo precioso não tardou a chegar e a me incomodar, como sempre faz. Isso na verdade me incomodou tanto, que nem consegui responder hoje se faria ou não o seguro. Esperava criar uma salvaguarda para períodos em que estivesse inativo, mas depois que vi tudo aquilo, lembrei de pessoas muito próximas à mim que nunca se preocuparam com isso e que foram atropeladas pelo tempo, pelos anos e tiveram fins melancólicos. Sempre disse que não queria isso para mim, e que faria de tudo o que pudesse para evitar este destino.

Não tenho mais tempo para empurrar com a barriga este assunto, disso tenho consciência. Provavelmente vou me decidir pela segurança. Mas de qualquer forma, a visão daqueles gráficos, estatísticas e números vai continuar ainda um bom tempo martelando minha cabeça. Como será que estarei daqui a 30 anos ? Será que chegarei até lá ? Será que aquela linha de tempo vai mesmo me pré-definir ? Será ela implacável, incólume e infalível ?

Puxa vida, é mesmo uma droga ter que envelhecer....


2 amigos comentaram:

Ru Correa disse...

Ai ai ai!
Acho que esse "receio" é cabível à todos nós meros mortais!
Eu já parei pra pensar nisso muitas vezes. Mas como sou servidora pública efetiva, graças a Deus (ou não, né?, me preocupo menos com isso.
Mesmo assim, a uns 8 meses atrás, fiz um seguro de vida com todos os requintes cabíveis O.o...hehehe
Mooooooorro de medo de envelhecer! Não quero! Tenho medo desse "futuro", mas sei que irei... é inevitável!
Oh My God!
E, alcame-se, se a humanidade continuar destruindo o planeta como hoje, não iremos receber nada de nossos planos de previdência, seguros, etc...
E, mais uma vez, vai tudo pro ralo!
Aiiiiiiiiiiii...
Seria cômico, se não fosse trágico!
hehehe

Beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeijos!

Anônimo disse...

E pensar em tudo isso dá uma baita dor de cabeça...

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