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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A nova onda do óbvio


Uma das coisas que mais me desagrada é entrar em uma livraria e dar de cara com dezenas de títulos do tipo "os 10 hábitos das pessoas mais ricas do mundo", ou então "aprenda a ser rico", "a formula do sucesso em 5 passos", expostos logo na entrada. Compreendo o intuito do dono da livraria (afinal de contas, são os mais vendidos) assim como compreendo a necessidade que as pessoas tem de ter um modelo ao qual seguir.

O que me desagrada é ver como este tipo de publicação aborda o assunto. Na sua grande maioria eles se limitam a apenas tipificar os tais exemplos, a demonstrar o óbvio, a formar seguidores de determinadas correntes de pensamento ao invés de forçar as pessoas a pensarem por si próprias. É muito mais fácil quando temos alguém para nos dizer o que fazer, para tomar as decisões por nós. Basta seguir os tais passos que estão no livro.

O que falta atualmente em todos os lugares, seja nos ambientes corporativos ou os de convívio social são aquelas pessoas que tem suas idéias próprias e que não tem medo de parecerem diferentes frente à esmagadora massa dos iguais. Ironicamente, grande parte deste contingente, são responsáveis por escreverem tais livros, justamente por que se deram conta de quão grande oportunidade se abria no horizonte, a de ganhar dinheiro chovendo no molhado.

Não se trata de uma crítica, mas sim de um elogio. É apenas a seleção natural agindo como sempre vem fazendo há bilhões de anos, elevando os mais aptos e nivelando os medianos. Um pequeno exemplo é o badalado livrinho chamado "O Monge e o Executivo". Ele tem uma leitura agradável, uma historinha leve e conquistou milhares de fãs (novamente seguidores) por que, supostamente, propõe colocarmos uma situação corriqueira sob um prisma extremamente inovador. Para isso, ele usa a figura de um ex-alto executivo que, acossado pelo stress incessante do corre-corre corporativo, um dia tem uma epifania e resolve largar tudo, virar monge e passar aos outros os ensimamentos da luz, do equilíbrio.

Pode até ser edificante mas, se analisarmos friamente, vamos perceber que ali dentro não existe absolutamente nada de novo. Nada. Se pararmos para pensar, o que vamos descobrir é algo muito, mas muito mais perturbador. O homem praticamente perdeu sua capacidade de dar atenção às pequenas coisas. As pequenas, mas indispensáveis variáveis que, ao fim da equação, produzirão toda a diferença do resultado. Simples assim.

As pessoas, em seus cargos de gerentes, gestores, supervisores estão tão preocupados com suas metas, seu status, sua liderança, sua imagem perante aos superiores que esquecem do principal : OUVIR os outros, OUVIR seus clientes, OUVIR seus colegas, enfim, PARAR de FALAR e OUVIR. Apenas isso. Todos estão tão preocupados em aplicar princípios mercadológicos complexos, teorias mirabolantes de marketing, praticar abordagens agressivas de conquistar clientes que nunca, nunca mesmo, param para ouvir o que é que as pessoas á quem eles esperam servir querem de verdade.

A regra hoje é multiplicar os atendentes robóticos retransmissores do odioso e ignorante gerúndio corporativo que nem ao menos escutam o real problema de quem os procura buscando auxílio. Se limitam apenas a seguir sua cartilha, e quando ela chega no limite, repassam a outro robô e assim sucessivamente. Isso, por que seguiram á risca os tais "7 passos das pessoas mais fantásticas do mundo" sem levar em consideração o princípio mais óbvio, o mais primitivo, o mais ululante : OUVIR.

Simplesmente não consigo mais ver escreverem que "tratar bem o cliente" é a nova onda que deve ser seguida por todo empresário de sucesso. Isto é o óbvio ! Perguntem a quem realmente fez sucesso do nada. Não suporto mais ouvirem falar em "sirva bem para ser bem servido" como se isso fosse grande novidade. Isso é o BE A BÁ ! Não aguento mais ver gente recebendo prêmios por que atende bem seus clientes. Isso é uma obrigação ! Não tolero ver as pessoas acreditando na idéia de que apenas o pensamento positivo vai fazê-las ficar milionárias e ter uma vida maravilhosa. Não vai ! Nada no mundo cai do céu, pensamento positivo e braços cruzados à espera de milagres não resolvem nada.

Não existem fórmulas mágicas, panacéias, ou milagres reformadores. Toda história de sucesso se constrói com base em trabalho sério, focado e com sólidas fundações, ou seja, preocupando-se primeiramente com o alicerce para mais tarde, pensar em embelezar o telhado. Pense nisso quando vir livros assim nas prateleiras. E tente lembrar também de quantas pessoas vocês conhecem que ficaram trilhardárias APENAS copiando os tais "hábitos das 7 pessoas mais importantes" do mundo.


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