Opinar sobre o filme "Tropa de Elite" com certeza não é tarefa fácil. O campeão nacional da pirataria mostra desde o início o porquê de ter provocado tanto alvoroço ao seu redor. Se colocarmos 10 pessoas em uma sala para assistí-lo, com certeza teremos 10 opiniões bem distintas com muito poucas convergências.Dizer que o filme choca o espectador com as cenas de violência é uma forma superficial de rotular a obra. O "mundo cão", como gostamos de chamar, nos é apresentado sem delongas todos os dias nos noticiários da TV. Nos acostumamos a ver coisas bem piores, por isso, pode ter certeza de que a vida real é bem mais cruel do que a história protagonizada pelo BOPE. E o dia a dia desses soldados também. O filme é, de longe, muito maior do que isso.
Ele não se reserva em nenhum momento a criticar essa ou aquela instituição em especial, mas sim, tenta mostrar como funcionam as engrenagens que as movem. Não se trata de mostrar a corrupção da polícia militar, muito menos apregoar o heroísmo do batalhão especial. O tema principal, que passa quase que desapercebido, é a sobrevivência. Uma das passagens narradas pelo personagem principal diz que "no Rio de Janeiro o policial tem 3 opções : se omitir, se corromper ou partir para a guerra". Resta, então, apostar na saída que cobre o preço mais baixo.
O grande vilão, se é que podemos dizer que no filme exista um, é o próprio sistema que praticamente empurra o idealismo de quem entra para a corporação abismo abaixo. As mesmas leis que, em tese, garantem uma justiça igualitária, protegem de forma absurda todos aqueles que a violam sistematicamente. O que se vê, então, são corruptos forjados pela impunidade, nem um pouco diferentes daqueles que matam sem disparar nenhum tiro, quando desviam dinheiro de hospitais públicos, por exemplo. A corrupção não é exclusiva á nenhum setor da sociedade, e isso, bem sabemos, não é novo para nós.
Assim como também não é novo o conceito que a tal "sociedade engajada" tem dos métodos empregados pelo BOPE e pela polícia em geral. Aliás, esse é um dos pontos mais bem explorados do filme, por que é feito de forma sutil mas muito bem colocada. A figura do estudante de classe média alta que se acha injustiçado pelos homens da lei e que se autodenomina ativista social, subindo o morro durante o dia para prestar serviços comunitários em ONGs e caindo na farra á noite cheirando e fumando tudo que traz da favela sem nenhuma culpa é fidedigna. O pecado do vício que alimenta toda a cadeia de atrocidades é penitenciado pelo trabalho descompromissado, como se fosse uma "limpeza de consciência" e nada mais. Não é a preocupação com as crianças carentes que move a intenção, mas sim o estar bem consigo mesmo.O BOPE é treinado para enfrentar guerras, e o Rio de Janeiro está em guerra há muito tempo. E, na guerra, não existe espaço para hesitação nem para demonstrações de cordialidade. Ainda mais quando se tem um inimigo disposto à tudo e que não tem nada a perder. Em um lugar onde a figura da autoridade deixou de ser respeitada, se faz necessária uma presença que imponha a ordem e isso não se faz com flores.
O objetivo do filme é simples e direto : mostrar como as coisas chegaram até o ponto onde estão agora, porquê continuam assim e, principalmente, porquê precisamos de uma "Tropa de Elite".








































1 amigos comentaram:
Excelente filme, o melhor filme de ação/policial que já se fez no Brasil. O filme que denuncia a realidade e valoriza o bom policial. Vagabundo, maconheiro, traficante e corruptos são tudo da mesma laia, CADEIA e CHUMBO pra eles!!! Tropa de Elite não usa o verniz massificante do politicamente correto, algo raro hoje em dia.
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