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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Nosso controverso cinema

O filme do cineasta Cao Hamburger, "O ano em que meus pais saíram de férias", foi escolhido para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Bastou sair a indicação e começaram a chover declarações em blogs e sites do país todo, manifestações pró e contra, sobre o assunto.

Na minha opinião, eu acho que esse é, de todos os outros filmes que já concorreram, o que tem mais chance de levar uma estatueta. Primeiro, por que o diretor escolheu dois assuntos que os jurados hollywoodianos adoram : repressão política e judaísmo. Segundo, por que ele não se aprofunda em nenhum dos dois, evitando se comprometer e limitando-se a apenas usá-los como pano de fundo para a historinha do garoto que se vê sozinho em uma cidade estranha, morando com um idoso taciturno que faz questão de deixar bem claro que não dá a mínima para ele. E terceiro, por que é chato demais. Rapidamente o filme se torna previsível, morno e enfadonho tudo por que a situação criada pela história tem um limite, que é extendido ao extremo até que chega uma hora em que o espectador se pergunta "ok, e agora, não vai mais sair disso?".

Em alguns momentos, o filme parece parafrasear o italiano "A vida é Bela", quando o velho tutor do menino mente sobre a real situação dos seus pais, tentando protegê-lo da realidade cruel da ditadura, que os obrigou a fugir, inventando desculpas. Em outros, cai para o lado do "Meu Primeiro Amor" quando a menina que gosta do garoto sente-se enciumada por ele ter sua atenção voltada para a moça bem mais velha que atende no balcão da lanchonete e namora o goleiro do timinho de futebol do bairro. Tudo muito prosaico, muito meloso e arrastado. E assim vão-se perdendo os minutos do filme, um após o outro. Mas depois da metade, todo mundo já sabe como vai terminar e torce para que acabe logo.

Incrível como tem gente nesse mundo que confunde opinião com ofensa pessoal. Estive passando pelo blog do Allan Sieber e lá ele postou comentários sobre este filme e também sobre o fenômeno "Tropa de Elite". Algumas pessoas não conseguem entender que, expor uma opinião sobre um determinado assunto, não significa afrontar mas sim exercer o direito da liberdade de expressão. Bastaram meia dúzia de comentários, e todos já estavam batendo boca completamente desviados do assunto principal.

Aliás, falando em "Tropa de Elite", o filme tem sido comentado à muito tempo mas virou um fenômeno por uma razão curiosa. Ele nem sequer estreou nos cinemas e praticamente todo mundo já assistiu. O engraçado é que esta invasão pirata não parece estar incomodando os produtores do filme por que ninguém fala nada sobre isso em lugar nenhum. Logo que as cópias piratas apareceram no Rio, li uma nota no site do Terra, depois, nada mais. A forma "misteriosa" como ele foi parar na internet e, a partir daí, distribuído ilegalmente é que intriga. Acredito que isso possa ter acontecido de propósito, primeiro para efeitos de divulgação e depois para garantir que todos tivessem acesso ao filme, afinal era de se esperar que as pessoas envolvidas no dia a dia desta realidade retratada pelos atores tivessem curiosidade em assistí-lo. A pirataria seria, então, a saída para quem não tem recursos para bancar entradas de cinema (que por sinal são caras demais mesmo).

Alguns defendem que este seria o filme ideal para concorrer ao prêmio, ao invés do outro. Acontece que a crítica americana não se interessa muito por este tipo de assunto. Filmes que retratam mazelas terceiro-mundistas são lugar-comum para os jurados. A maioria dos filmes estrangeiros que concorrem na academia tendem a explorar este lado e muito poucos tiveram sucesso.

Vamos ver no que dá

Um comentário:

Anônimo disse...

Tropa de Elite, na minha opinião, o melhor filme nacional já feito, hollywoodiano, não perde em nada para os filmes de ação americanos com a diferença de ser uma ficção-realista, atuação excelente dos protagonistas e coadjuvantes além de uma boa dose de chumbo. Um filme que distingue os heróis dos bandidos e dos anti-heróis. Um filme que detona os bundinhas maconheiros hipócritas. Um filme que valoriza os verdadeiros policiais. Sensacional!

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